Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

darkness (and hope?)



é brutal a violência que exercemos sobre nós próprios quando, voluntariamente, (re)vemos, (re)ouvimos ou (re)lemos imagens, músicas ou palavras que nos tocaram ou marcaram de alguma forma; quando nos lembramos de coisas aparentemente tão triviais que para toda a gente seriam insignificantes mas que para nós são de uma importância extrema, despertando um sentimento de melancolia avassalador... e é engraçado o quão amplificadas estas reacções são quando estamos mais cansados, como estou neste momento... entretanto, de repente, saio desse limbo, respiro fundo, sou iluminado por um qualquer fogo (fátuo) mas rapidamente me deixo embrenhar novamente no negrume...

nem forças tenho para me sentir revoltado...

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

in the arms of sleep

o sono tolda-me o pensar... estou cansado... é curioso como esta expressão, por mim repetida tantas vezes nos últimos dias e aplicada em vários contextos, acaba no fundo por redundar sempre no mesmo: a ideia de falta de vontade para continuar. continuar a lutar, continuar a tentar, continuar a trabalhar, continuar a viver, continuar... sim, há momentos, que podem ser tanto horas como breves instantes, em que por um motivo qualquer esse cansaço se transmuta em vigor, mas são apenas e só momentos... lampejos que iluminam brevemente o breu que se instalou... estou cansado... é curioso o quão volátil é a disposição humana, o quão rapidamente vamos do céu ao inferno animicamente e é espantosa a dificuldade com que do inferno saímos, quando saímos de facto... enfim, estou cansado, o sono tolda-me o pensamento e não me aprece que esteja a fazer grande sentido... (des)espero que me espere um sono tranquilo, nem que induzido por algo que ajude... estou cansado...

"sleep will not come to this tired body now
peace will not come to this lonely heart
there are some things i'll live without
but i want you to know that i need you right now" bc 1996

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

something i can never have...

... mas que posso continuar a procurar, mesmo que interiormente sinta que tal busca é fútil e completamente irrelevante, porque ao fim e ao cabo tudo se resume aos soberbos versos do mr. trent reznor...

"in this place it seems like such a shame
though it all looks different now, i know it's still the same
everywhere i look you're all i see
just a fading fucking reminder of who i used to be"

será que vale a pena persistir na busca do impossível?

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

full moon madness

há muito tempo que não conduzia tão longamente debaixo de lua cheia... é brutal o efeito que a luz da lua pode ter sobre nós, o quão mais fortes são as divagações e os devaneios a que uma mente inquieta está sujeita e se deixa levar quando iluminada pela luz nocturna... a noite quase deixa de ser aquele manto negro, acolhedor e protector onde me sempre me senti confortável para passar a ser um pseudo dia no qual me sinto tão frágil e exposto como se debaixo de um sol no seu zénit em agosto... e desperta em mim uma ponta de loucura, uma vontade incontrolável de buscar refúgio, não sei de quê ao certo, mas um refúgio, um porto seguro onde me possa abrigar... talvez seja por isso que alguns chamam ao loucura ao amor...

Domingo, 18 de Maio de 2008

contrasenso da alma

"ninguém muda ninguém"... não sei onde li ou ouvi isto, mas é uma máxima que cada dia que passa mais verdade me soa, mais real se torna. e talvez a sua negação, por parte de mim próprio, talvez esta minha crença que parte da vontade inata em ser o suporte de alguém, e assim ser capaz de "mudar" esse alguém, no sentido de lhe dar mais alguma estabilidade, de ajudar a ultrapassar medos, ansiedades, de apaziguar as dores e vencer os demónios (que nos assolam a todos e para os quais por vezes precisamos realmente de ajuda para vencer - há quem use químicos, outros drogas, outros ajuda profissional, alguns uma mescla de todos os anteriores), esta minha crença acaba no fundo por me magoar mais do que fazer bem... e se há coisa que eu não preciso é de me magoar a mim próprio, os outros fazem isso bem melhor... especialmente aqueles em quem eu deposito a confiança naïve da criança que há em mim, aqueles a quem me dou sem freios por achar que são quem eu gostaria que me acompanhassem na vida, ou aqueles que, porque desde sempre fazem parte de mim, estão de tal forma presentes que qualquer atitude é praticamente quase sempre tomada em consideração e me afecta emocionalmente... por vezes (vezes demais talvez) acho-me um puro, um indivíduo que acredita que o Amor existe e escreve-se com letra grande, mas noutras desanimo e auto flagelo-me psicologicamente prescisamente por nisso acreditar... sou um contrasenso, um paradoxo de dois mundos, dez formas, uma vontade, mil desejos, e inúmeras ilusões (e desilusões)... sou eu, tudo isto numa pessoa, de carne e osso, com todos os orgãos e células e tecidos e tudo tudo tudo o mais, mas cada vez com menos alma...

Sábado, 17 de Maio de 2008

night eternal

não posso regressar ao que já fui, não posso voltar a esses sítios... a dor é muita, mas tenho que conseguir lutar contra esta noite que se abate sobre mim... mas dói meu Deus, como dói...

"(...) So when the hurting starts
And when the nightmares begin
Remember you can fill up the sky
You don't have to give in
You don't have to give in
Never give in
Never give in
Never give in" rs 1987

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

and all that could have been...

mesmo nos momentos mais confusos e duros e negros, o amor pode perdurar, e perdura... tal como é dito num dos meus filmes preferidos "true love never dies..."






"(...)i am
tainted
and happiness and peace of mind
were never meant for me
all these
pieces
and promises and left behinds
if only i could see
in my
nothing
you meant everything
everything to me" tr 2002

o passado, o passado... o presente aplica-se aqui tão mais correctamente "you mean everything, everything to me..."